quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Qual o HOSPITAL onde as URGÊNCIAS têm o maior tempo de espera?


É, eu preciso de saber porque preciso de ter um dia bem passado. Não me serve de nada ir a um hospital para ser aviado em 3 tempos e com os bolsos mais vazios. Já para não falar do papel que vou gastar na farmácia. Por isso fiz o trabalho de casa e andei a ligar para os hospitais de todo o país, e não me fiquei apenas por Portugal Continental. Papel e caneta e lá comecei a fazer a lista das horas de espera. Parece que no S. Francisco Xavier e no Amadora-Sintra não chega a 3 horas, ora isso nem uma manhã me ocupa! Felizmente o Garcia da Horta, em Almada, está à pinha e apresenta 10 horas de espera. É mesmo esse que eu quero, vou pela manhã, passo lá o dia e depois regresso a tempo de ver a matrafona a entrevistar galdérias e pacóvios. Bem, só espero que não passe mesmo das 10 horas senão tenho o serão estragado. 

Fertagus aí vou eu! Com sorte a malta dos comboios da ponte vai estar em greve e vou poder ir numa carruagem à pinha. Não é que goste mas evita que eu tenha que pagar bilhete, os ladrões do governo já levam que chegue! E tive de facto sorte, ou não, porque pelos dias que correm há mais dias em que a malta dos transportes está em greve do que a trabalhar. Ajuda o facto de ser segunda de manhã, pois melhor dia para fazer greve só à sexta! Eu próprio teria feito greve mas os pandilhas do privado não alinham no filme por isso lá tive que arranjar maneira de ir ao hospital. Mas não vos maço mais com estes detalhes, até porque entretanto já estou a chegar ao Pragal e já só me falta apanhar a carreira para o Hospital. Xii rapaz, olha saiu tudo no Pragal e vamos todos para o Garcia da Horta! Vai tudo em passo acelerado, e eu também, não sei bem porquê e só percebi quando duas velhas na carreira comentavam que era importante conseguir lugar sentado nas primeiras fileiras em frente à televisão porque senão nem se ouve o que o Goucha diz! Se é só por isso achei por bem abrandar o passo quando saí da carreira que nos deixa mesmo em frente às urgências, porque se não ouvir o Goucha pelo menos ouço a Cristina, nem que esteja à porta do hospital....

Pronto, já paguei "bilhete", 20,60€ para ir à triagem. Como esperado, sala de espera cheia e muito barulho de fundo, tomara muitos estádios deste país terem tamanho ambiente! E lá chamaram o Pantomineiro no microfone, uma voz fanhosa e mastigada chamou por mim. Querem eles saber o que eu tenho, e eu disse. Dói-me tudo, mas especifiquei que era mais no peito que a coisa se centrava, só para induzir um raio-x à caixa torácica e retirar qualquer hipótese daqueles malandros me quererem entubar para avaliar o estado da minha tripa ou do meu bandulho. Ao que parece também não ia correr esse risco, parece que há lista de espera e tudo para esses exames....

Regressado à sala de espera já não tinha o meu lugar em frente à televisão e lá tive que me sentar de costas ensanduichado entre a família da Belarmina que se apresentou nas urgências de pé inchado (fiquei eu a saber quando o sobrinho que também lá estava me contou tudo o que sucedeu à tia) e o Sr. Orlando que ainda estava à espera do amigo Jacinto para fazer a habitual dupla na sueca para quem se apresentasse disponível na sala de espera para jogar uma cartada. Ele não estava doente, mas também estava lá. Diz que não paga a taxa moderadora mas vai passando por lá os dias... parece que de vez em quando até ajuda a levar umas macas para dentro e para fora e até dá umas "consultas" a quem lhe pede. Parece que já são muitos anos a virar frangos naquela "freguesia" e já sabe distinguir uma gripe de uma simples constipação. Parece até que há quem vá para casa só com a receita de whisky e mel num chá de limão a conselho do Sr. Orlando.

Como o Sr. orlando já me queria puxar para a suecada agora que o amigo tinha chegado, lá me virei para o sobrinho da Belarmina para meter conversa. Está com gripe? Perguntei eu depois de o ver puxar do lenço de pano para afagar a penca. Diz ele que ficou assim na sala de espera do hospital, mas que na verdade vinha acompanhar a tia com o famoso pé torcido. Pois, aquilo mais parece um martelo de facto, disse eu apontando para o dito. Parece que não era aquele o pé, mas sim o outro que estava escondido debaixo da cadeira! Nem quis olhar para não me assustar! E mais, pisguei-me dali em três tempos não fosse ficar com a mesma gosma do sobrinho da Belarmina! Era o que faltava, ir ao hospital para sair de lá doente..... há quem diga que acontece muito!

Toca de dar umas voltas até ao almoço. Assim o tempo passa mais depressa. De repente voltam a haver lugares vazios em frente ao televisor. As velhas foram todas fazer fila em frente à secretária da rececionista para fazer uma chamadinha rápida. Vim a saber que era tudo esquema para ligar para o programa do Goucha a ver se lhes duplicavam a reforma. Mas não me cheguei a sentar porque entretanto chegou uma ambulância e fui com a malta toda à porta ver o que era. Quando cheguei à entrada já os ciganos tinham ficado na frente e me tapavam a visão de excelência que ambicionava. Lá tive que me contentar com os relatos desalentados que me chegaram aos ouvidos... era só um braço partido e ainda por cima sem fratura exposta. Sangue nem vê-lo!

Neste sentimento misto de desilusão e alívio por não ter perdido o momento do dia nem me apercebi que era hora de petiscar qualquer coisa! Os sabidos já levam umas sandochas de casa e eu como sou novo nisto lá tive que ir gastar uns trocos à cantina. Com esta crise ainda dói mais, aliás, foi coisa que ouvi muito de outras bocas ao longo da manhã! 

A tarde foi bem mais animada. Os primeiros a fazer exames de manhã já partilhavam com os demais os resultados. Na maioria dos casos parece que não acusava nada, noutros, raros, era preciso repetir. Pelo meio parece que havia uma situação mesmo grave. Não se falava de outra coisa na sala. Um quisto sebácio no rabo! Quem viu diz que estava cheio de pus e estava mesmo pronto a rebentar. Indignação total na plateia da sala de espera. Aquele desgraçado tinha chegado lá às 7 da manhã e só lhe tinham olhado para o quisto às 11 da manhã, e só depois de meia sala de espera ter opinado sobre o dito que o pobre detentor quis mostrar a quem tinha olhos de ver. Passou a manhã com as calças em baixo, amparadas pelos tornozelos. Realmente a saúde neste país está de mal a pior! Imagina que era eu que ia para lá esperar horas a fio com uma coisa qualquer grave? Faz algum sentido patinar numa sala de espera das urgências!!!! 

Dizem que é da crise, que já não há dinheiro para nada, nem para tratar dos doentes. Numa coisa não me enganaram no Garcia da Horta, as 10 horas estão quase a passar e ainda nem fui recebido. Como a sala de espera começou a ficar menos animada e com menos pessoal, achei por bem dar corda aos sapatos dali para fora antes que ficasse pior da minha maleita. Não sem antes pedir uma justificativo ao hospital para apresentar no trabalho. E eles lá no Garcia da Horta ouviram das boas, que eu não sou de me calar. Foi até eles me pedirem desculpa!

Balanço feito quando cheguei a casa, pois foi um dia bem passado. Amanhã vou ver se faço novas amizades no Santa Maria, com a crise não tenho $ para ter internet em casa e por isso não dá para andar nessas coisas do Facebook. E vá, de facto fazer amigos pessoalmente é outra coisa.

Pantomineiro Mor

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