sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Ganhar CAMPEONATOS à BATOTA não devia valer!



Se eu fosse dono de um clube de futebol e quisesse ganhar campeonatos tinha um bom punhado de opções á minha disposição. Podia investir num grande plantel, contratar um coach de primeira água e arranjar uma estrutura sólida para o futebol, mas também podia comprar uns apitos a pretexto de umas ofertas generosas e manteigudas, ou ainda, quiçá, comprar as equipas adversárias para facilitar a vida nos jogos que venha a ter contra ela.

Tenho a dizer que isto de formar um plantel de topo e arranjar um Treinador com t maiúsculo tem que se lhe diga. Dizem que funciona muito bem em ligas apostadas em jogar futebol, olha, tipo a liga inglesa ou até a espanhola. Numa liga como a portuguesa não chega para fazer a diferença, os adversários são medíocres, caceteiros e adoram jogar fechadinhos lá atrás sempre que enfrentam uma equipa com um poderio teoricamente mais alto, vulgo, três grandes bem entendido. Bem, também não convém ter uma catrefada de toscos no 11 que entra dentro das 4 linhas, mas investir à grande não é garante de ter os 3 pontos a cada jornada. Nunca foi com jogadores de craveira técnica mundial que se ganham batalhas campais, e os jogos da primeiro liga portuguesa definem-se melhor por vezes como verdadeiras batalhas campais.

O recurso aos apitos é um déjá vu. Não vai há muito que uns certos meninos se dedicavam a esta atividade sombria de conquistar a simpatia dos apitos através de ofertas generosas de fruta fresca. Não há quem não saiba o que o código “fruta fresca” queira dizer, longe vai o tempo em que só eles, os corruptos, e os próprios apitos, sabiam o que era isto da fruta que na verdade não era bem fruta mas mais um prato de carne fresca para que os apitos pudessem dar umas boas trincas e depois devolver à proveniência. Enfim, convém guardar uns trocados para conquistar a boa vontade dos apitos, mas comprar apitos à lá gardére já foi chão que deu uvas. Agora é mais fazer umas ofertas simpáticas, elogiar a classe, fingir que é gente que o clube muito preza e esperar que dentro das 4 linhas tal generosidade não seja esquecida. É contar com os reflexos condicionados, é inteligente. Naquele momento da decisão, num lance de difícil juízo, como muitos que inundam o futebol português, no subconsciente do apito jaz aquele sentimento de gratidão perante o clube que tão bem os tratou, o que em consequência, na grande maioria das vezes resulta numa decisão favorável ao nosso clube ainda que em muitos casos tecnicamente errada. É tão inteligente esta estratégia que merece aplauso. A subtileza é tão grande que ninguém jamais ousará acusar o clube de corrupção. Não o é na verdadeira acensão da palavra, é porque é feito com o propósito de obter proveito próprio. É isto que eu faria se fosse dono de um clube de futebol e quisesse por os apitos a rumar ao título lado a lado com a equipa de futebol sem correr riscos de ser catalogado de fruteiro ou corrupto.

Tudo isto pode ainda assim não ser suficiente. Posso ter um bom plantel e um treinador a condizer, posso levar os apitos ao sabor da maré, mas levar pela frente com um autocarro daqueles que num dia mau se torna intransponível. É verdade, acontece. Que fazer nestes casos? É preciso ganhar todos os jogos possíveis para não correr o risco de não conquistar o caneco no final do campeonato. Pois, mas é por isso que um clube que se quer vencedor tem que ter um bom plantel, mas também um plantel vasto. Vasto o suficiente para que aqueles mais reles que treinam com o mesmo emblema dos que jogam possam ser emprestados a estes outros clubes do autocarro. Depois é perceber a mecânica da coisa. Quem meter um autocarro á frente da baliza não leva com jogadores emprestados, os que  jogam o jogo pelo jogo e lerpam, epá, podem levar até meia dúzia desde que não façam falta ao clube para jogar. Esta é uma belíssima abordagem, os caceteiros perdem o jogo contra o meu clube, mas em contrapartida levam emprestados uns quantos cepos que eu cá tenho que bem jeito lhe vão dar para ganhar às outras equipas do “mesmo campeonato”. É assim que se faz, se tiver mesmo um plantel que em tamanho se assemelha a um batalhão, ótimo, consigo provavelmente reunir a simpatia de uns 4 a 5 clubes do campeonato. Com um bom plantel, apitos do meu lado e 5 equipas das outras 15 do campeonato em dívida para comigo, quase que o campeonato não falha.

E porque o quase representa uma incerteza grande no nosso futebol onde vale tudo, há que fazer ainda um pequeno esforço adicional. Sabendo de muito jogador mal pago ou com salários em atraso, não custa nada dar uma ajudinha financeira a um ou outro jogador chave do setor defensivo, pois não? Isto é corrupção, mas se ninguém souber está tudo bem. Imaginem o que seria se os meus avançados pudessem sem grande aperto fazer o que querem na grande área dos adversários? Aparecerem desmarcados, ganharem sprints e conquistarem espaços sem que aquele pé maroto do defesa raivoso possa aparecer para desfeitear o avançado! O sonho, depois é só não ter na frente gajos toscos mas sim gajos que saibam dar um ou dois chutos na bola. Chega para ganhar.

Com tudo isto o meu clube ganharia certamente o campeonato. Certo que seria um campeonato da batota, mas só entre nós, porque a taça, essa, estaria lá no meu museu! Agora pergunto: esta conversa toda encaixa nalgum clube português? Será no Sporting? Ou no Benfica? Na volta é do Porto que  estou a falar, não? Sabem de quem estou a falar? Inevitavelmente de quem vai ganhar este campeonato, porque com uma estratégia destas à prova de bala, o clube não pode perder!


Pantomineiro Mor

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